A crise de ansiedade é uma manifestação aguda de um transtorno emocional que pode afetar qualquer pessoa, mesmo aquelas que nunca receberam um diagnóstico psiquiátrico formal. Quando ocorre, provoca uma série de sintomas físicos e psicológicos intensos, muitas vezes confundidos com outras condições médicas, como infarto.
Se você está se perguntando “crise de ansiedade, o que fazer?”, este artigo oferece um guia completo com base na prática clínica psiquiátrica e psicológica. Você vai entender o que é uma crise, quais são os sintomas mais comuns, como agir durante um episódio e quando procurar ajuda profissional.
O que é uma crise de ansiedade?
A ansiedade é uma resposta natural do organismo diante de situações de ameaça, expectativa ou estresse. Em níveis controlados, ela nos ajuda a lidar com desafios. No entanto, quando essa resposta se torna desproporcional, repentina e intensa, estamos diante de uma crise de ansiedade.
Trata-se de um pico abrupto de ansiedade que costuma durar entre 10 e 30 minutos, embora os efeitos possam perdurar por horas. Pode ocorrer de forma isolada ou estar associada a transtornos como:
- Transtorno de Ansiedade Generalizada (CID F41.1)
- Síndrome do Pânico (CID F41.0)
- Fobias específicas (CID F40.2)
- Transtorno de estresse pós-traumático (CID F43.1)
Quais são os sintomas de uma crise de ansiedade?
Durante uma crise, o corpo entra em um estado de alerta máximo, como se estivesse diante de uma ameaça real. Isso desencadeia uma descarga de adrenalina e noradrenalina, resultando em sintomas como:
- Falta de ar ou sensação de sufocamento
- Taquicardia (coração acelerado)
- Dor ou aperto no peito
- Suor excessivo
- Tremores
- Sensação de desmaio ou vertigem
- Náuseas ou desconforto abdominal
- Sensação de morte iminente
- Medo de enlouquecer ou perder o controle
Esses sintomas são reais e intensos, mas não colocam a vida em risco. Mesmo assim, a experiência é extremamente desconfortável e pode gerar medo de novas crises, o que piora o quadro.
Crise de ansiedade ou infarto: como diferenciar?
Muitos pacientes que sofrem uma crise de ansiedade pela primeira vez acreditam estar tendo um infarto. De fato, os sintomas podem ser semelhantes. Veja a tabela comparativa abaixo:
| Sintoma | Crise de Ansiedade | Infarto |
|---|---|---|
| Início | Súbito, geralmente em repouso | Geralmente após esforço físico |
| Dor no peito | Aperto, sensação de pressão ou formigamento | Dor opressiva, irradiando para braço/esq. |
| Duração | 10–30 minutos, com melhora gradual | Pode durar mais de 20 minutos |
| Respiração | Acelerada, sensação de falta de ar | Dificuldade para respirar profundamente |
| Outros sintomas | Medo, sudorese, tontura, tremores | Náusea, vômitos, suor frio |
| Exames cardíacos | Normais | Alterados (ECG, enzimas) |
Na dúvida, sempre procure atendimento médico, especialmente na primeira ocorrência.
Crise de ansiedade: o que fazer no momento da crise?
A seguir, listamos estratégias recomendadas por psiquiatras e psicólogos para ajudar a controlar uma crise de ansiedade. Elas podem ser utilizadas por quem está em crise ou por alguém que deseje ajudar.
1. Reconheça que é uma crise de ansiedade
O primeiro passo é entender que você não está em perigo real. Os sintomas são assustadores, mas não vão causar morte ou danos físicos permanentes. Dizer a si mesmo frases como:
- “Essa sensação é temporária”
- “Eu já passei por isso antes e passou”
- “Não há nenhuma ameaça real agora”
Essas afirmações ajudam a reduzir o pânico e a recuperar o controle.
2. Respire de forma consciente
A respiração controlada é uma das técnicas mais eficazes. Experimente o seguinte padrão:
- Inspire pelo nariz por 4 segundos
- Segure o ar por 4 segundos
- Expire lentamente pela boca por 6 segundos
- Repita o ciclo por alguns minutos
Esse exercício ajuda a reduzir a hiperventilação, melhora a oxigenação do cérebro e ativa o sistema nervoso parassimpático, promovendo calma.
3. Ancore-se no presente
A técnica de atenção plena (mindfulness) ajuda a desviar o foco dos pensamentos catastróficos. Um exercício simples:
- Nomeie 5 coisas que você vê
- Sinta 4 texturas (roupas, objetos)
- Ouça 3 sons ao redor
- Identifique 2 cheiros
- Pense em 1 sabor
Isso ajuda o cérebro a se reconectar com o presente, reduzindo a ansiedade.
4. Relaxe os músculos
Durante a crise, o corpo tende a ficar tenso. Faça uma relaxamento muscular progressivo:
- Contraia os músculos por 5 segundos (ombros, mandíbula, mãos, pés)
- Depois relaxe lentamente
- Repita até sentir o corpo mais leve
5. Afaste-se de estímulos gatilho
Se possível, vá para um local calmo, silencioso e ventilado. Evite celulares, redes sociais, sons altos ou multidões nesse momento. A exposição a gatilhos pode piorar o quadro.
E se for outra pessoa em crise de ansiedade?
Se um familiar ou amigo estiver em crise, você pode ajudar com algumas atitudes:
- Fale com calma: “Você está seguro(a). Vai passar.”
- Incentive a respirar com você
- Evite dizer “calma” de forma autoritária
- Não minimize a crise (“isso é frescura”)
- Ofereça companhia e escuta ativa
Evite toques físicos inesperados, que podem aumentar o desconforto.
O que fazer depois da crise?
Após o episódio, é comum sentir cansaço físico e emocional. É importante:
- Descansar o corpo
- Evitar culpas ou julgamentos
- Registrar os gatilhos ou pensamentos em um diário
- Procurar ajuda profissional se as crises forem recorrentes
Como evitar novas crises de ansiedade?
Prevenção envolve hábitos saudáveis e acompanhamento com profissionais de saúde mental. Veja algumas estratégias:
- Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC): ajuda a modificar padrões de pensamento negativos e prevenir crises.
- Atividade física regular: libera endorfinas e reduz o estresse.
- Sono adequado: noites mal dormidas aumentam a vulnerabilidade emocional.
- Redução de cafeína, álcool e estimulantes
- Técnicas de relaxamento diário: meditação, yoga, respiração.
Em alguns casos, o uso de medicação psiquiátrica (ansiolíticos, antidepressivos) pode ser indicado, sempre com prescrição médica.
Quando procurar um psiquiatra?
Você deve buscar avaliação especializada quando:
- As crises se tornam frequentes ou intensas
- Há prejuízo no trabalho, estudos ou vida social
- Há medo constante de novas crises (ansiedade antecipatória)
- Você evita lugares ou situações por medo da crise
- Há histórico familiar de transtornos mentais
O psiquiatra poderá diagnosticar corretamente (inclusive com base nos códigos do CID-10 como F41.0 ou F41.1), indicar o tratamento mais adequado e acompanhar sua evolução.
Conclusão
Saber o que fazer durante uma crise de ansiedade é essencial para quem vive com o transtorno ou convive com alguém que passa por isso. A boa notícia é que com o acompanhamento correto, o uso de técnicas de controle e o suporte de profissionais especializados, é possível retomar a qualidade de vida e prevenir recaídas.
A SIG Saúde Mental oferece suporte completo para pacientes e familiares que enfrentam quadros de ansiedade, seja por meio de atendimento ambulatorial, psicoterapia ou acolhimento em ambiente terapêutico supervisionado.








