
CID F24 o que significa?
O transtorno delirante induzido, também conhecido pela expressão francesa folie à deux (“loucura a dois”), ocorre quando uma pessoa adota crenças delirantes de outra com quem mantém vínculo próximo e intenso. Normalmente, trata-se de um casal, familiares ou pessoas em convivência muito estreita, onde uma delas apresenta delírio estruturado e a outra, sem histórico prévio de psicose, acaba compartilhando e acreditando firmemente nas mesmas ideias.
Esse diagnóstico é raro, mas mostra como a proximidade emocional pode influenciar a percepção da realidade, especialmente quando há isolamento social em relação a terceiros.
No transtorno delirante induzido, existe uma relação assimétrica: um indivíduo (chamado de “paciente primário”) possui um transtorno delirante persistente, enquanto outro (o “induzido”) adere aos mesmos conteúdos delirantes. Quando separados, muitas vezes o segundo indivíduo perde gradualmente a crença delirante, o que reforça a ideia de que sua psicose foi adquirida pela influência direta do outro.
É mais comum em contextos de isolamento social, dependência emocional ou relações de poder. O reconhecimento precoce é importante, pois a abordagem terapêutica inclui, muitas vezes, o afastamento temporário entre os envolvidos.
Subtipos do CID F24
Não há subdivisões formais, mas na prática clínica podem ser observados:
- Folie à deux clássica: duas pessoas compartilham o mesmo delírio.
- Folie à famille: mais de duas pessoas em uma família envolvidas.
- Folie communiquée: quando o delírio é transmitido de forma gradual e persistente.
- Folie imposée: o delírio é imposto de forma dominante pelo paciente primário.
Causas do Transtorno delirante induzido (folie à deux)
Entre os fatores mais associados estão:
- Presença de paciente primário com transtorno delirante.
- Convivência intensa em ambiente fechado e isolado.
- Dependência emocional ou afetiva, que aumenta a influência de uma pessoa sobre a outra.
- Fatores de vulnerabilidade do indivíduo induzido, como baixa autoestima, personalidade dependente ou dificuldades cognitivas.
Sintomas do Transtorno delirante induzido (folie à deux)
- Adoção de crenças delirantes de outra pessoa.
- Forte convicção em ideias irreais (perseguição, ciúmes, grandeza, erotomania).
- Resistência em aceitar evidências contrárias.
- Sintomas psicóticos mais brandos ou inexistentes fora do contexto da relação.
- Perda da capacidade crítica em relação às ideias do parceiro delirante.
Diagnóstico de Transtorno delirante induzido (folie à deux)
O diagnóstico é clínico, feito por psiquiatra, com base em:
- Presença de um paciente primário com delírios estruturados.
- Um segundo paciente que compartilha os mesmos delírios.
- Vínculo emocional e convivência muito próximos entre os dois.
- Melhora ou desaparecimento do delírio induzido quando há separação.
Critérios de exclusão
- Esquizofrenia no paciente induzido.
- Transtornos delirantes próprios e independentes.
- Transtornos do humor com sintomas psicóticos.
- Uso de substâncias psicoativas que causem sintomas semelhantes.
Medicamentos para Transtorno delirante induzido (folie à deux)
O tratamento medicamentoso geralmente é necessário para o paciente primário e, em alguns casos, também para o induzido:
- Antipsicóticos atípicos (risperidona, olanzapina, aripiprazol).
- Ansiolíticos e antidepressivos, se houver sintomas associados de ansiedade ou depressão.
Quando buscar ajuda
É importante procurar atendimento especializado quando:
- Há um par ou grupo fechado que compartilha ideias irreais.
- O delírio induz prejuízo social, familiar ou profissional.
- O comportamento coloca em risco a segurança dos envolvidos ou de terceiros.
- Um dos membros demonstra resistência total a contato com a realidade.
Aposentadoria e direitos legais
Casos graves podem gerar incapacidade funcional, especialmente no paciente primário. O induzido, em geral, retoma a vida normal após tratamento adequado, mas em situações de prejuízo persistente, pode haver solicitação de benefícios previdenciários.
Tratamentos para Transtorno delirante induzido (folie à deux)
- Separação terapêutica: afastamento temporário ou parcial entre os envolvidos para enfraquecer a influência delirante.
- Tratamento psiquiátrico com antipsicóticos para o paciente primário.
- Psicoterapia de apoio para ambos, fortalecendo a autonomia cognitiva do induzido.
- Intervenções familiares, quando o delírio envolve mais de duas pessoas.
- Reinserção social e ocupacional para reduzir isolamento.
Transtorno delirante induzido (folie à deux) tem indicação de internação?
A internação pode ser necessária em casos de:
- Delírios associados a risco de violência.
- Recusa completa de tratamento pelo paciente primário.
- Quando a convivência representa risco grave à saúde física ou mental dos envolvidos.
Faixa etária comum
Adulto, Idoso.
Perguntas frequentes sobre o CID F24
O delírio some quando os indivíduos são separados?
Na maioria das vezes, sim, especialmente no paciente induzido.
Só casais podem ter esse transtorno?
Não. Pode ocorrer entre irmãos, mãe e filha, ou até em grupos familiares inteiros.
O paciente induzido precisa sempre de remédio?
Nem sempre. Muitas vezes, o afastamento e a psicoterapia já são suficientes.
Esse transtorno é permanente?
Não necessariamente. O induzido pode recuperar o senso crítico após intervenção adequada.
É comum?
Não. É um diagnóstico considerado raro na psiquiatria.
Conclusão
O transtorno delirante induzido mostra como vínculos intensos e isolamento podem levar uma pessoa a adotar as crenças psicóticas de outra. Embora raro, exige intervenção psiquiátrica rápida para proteger os envolvidos e restaurar a autonomia de pensamento.
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Links úteis sobre o CID F24

Ariel Lipman
Psiquiatra - CRM: 212893 - SP RQE Nº: 84677