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CID F24 – Transtorno delirante induzido (folie à deux)

CID F24 – Transtorno delirante induzido (folie à deux)

Por:
Ariel Lipman
| Psiquiatra - CRM: 212893 - SP RQE Nº: 84677
| 27 de agosto de 2025
CID F24 – Transtorno delirante induzido (folie à deux)

CID F24 o que significa?

O transtorno delirante induzido, também conhecido pela expressão francesa folie à deux (“loucura a dois”), ocorre quando uma pessoa adota crenças delirantes de outra com quem mantém vínculo próximo e intenso. Normalmente, trata-se de um casal, familiares ou pessoas em convivência muito estreita, onde uma delas apresenta delírio estruturado e a outra, sem histórico prévio de psicose, acaba compartilhando e acreditando firmemente nas mesmas ideias.

Esse diagnóstico é raro, mas mostra como a proximidade emocional pode influenciar a percepção da realidade, especialmente quando há isolamento social em relação a terceiros.

No transtorno delirante induzido, existe uma relação assimétrica: um indivíduo (chamado de “paciente primário”) possui um transtorno delirante persistente, enquanto outro (o “induzido”) adere aos mesmos conteúdos delirantes. Quando separados, muitas vezes o segundo indivíduo perde gradualmente a crença delirante, o que reforça a ideia de que sua psicose foi adquirida pela influência direta do outro.

É mais comum em contextos de isolamento social, dependência emocional ou relações de poder. O reconhecimento precoce é importante, pois a abordagem terapêutica inclui, muitas vezes, o afastamento temporário entre os envolvidos.

Subtipos do CID F24

Não há subdivisões formais, mas na prática clínica podem ser observados:

  • Folie à deux clássica: duas pessoas compartilham o mesmo delírio.
  • Folie à famille: mais de duas pessoas em uma família envolvidas.
  • Folie communiquée: quando o delírio é transmitido de forma gradual e persistente.
  • Folie imposée: o delírio é imposto de forma dominante pelo paciente primário.

Causas do Transtorno delirante induzido (folie à deux)

Entre os fatores mais associados estão:

  • Presença de paciente primário com transtorno delirante.
  • Convivência intensa em ambiente fechado e isolado.
  • Dependência emocional ou afetiva, que aumenta a influência de uma pessoa sobre a outra.
  • Fatores de vulnerabilidade do indivíduo induzido, como baixa autoestima, personalidade dependente ou dificuldades cognitivas.

Sintomas do Transtorno delirante induzido (folie à deux)

  • Adoção de crenças delirantes de outra pessoa.
  • Forte convicção em ideias irreais (perseguição, ciúmes, grandeza, erotomania).
  • Resistência em aceitar evidências contrárias.
  • Sintomas psicóticos mais brandos ou inexistentes fora do contexto da relação.
  • Perda da capacidade crítica em relação às ideias do parceiro delirante.

Diagnóstico de Transtorno delirante induzido (folie à deux)

O diagnóstico é clínico, feito por psiquiatra, com base em:

  • Presença de um paciente primário com delírios estruturados.
  • Um segundo paciente que compartilha os mesmos delírios.
  • Vínculo emocional e convivência muito próximos entre os dois.
  • Melhora ou desaparecimento do delírio induzido quando há separação.

Critérios de exclusão

  • Esquizofrenia no paciente induzido.
  • Transtornos delirantes próprios e independentes.
  • Transtornos do humor com sintomas psicóticos.
  • Uso de substâncias psicoativas que causem sintomas semelhantes.

Medicamentos para Transtorno delirante induzido (folie à deux)

O tratamento medicamentoso geralmente é necessário para o paciente primário e, em alguns casos, também para o induzido:

  • Antipsicóticos atípicos (risperidona, olanzapina, aripiprazol).
  • Ansiolíticos e antidepressivos, se houver sintomas associados de ansiedade ou depressão.

Quando buscar ajuda

É importante procurar atendimento especializado quando:

  • Há um par ou grupo fechado que compartilha ideias irreais.
  • O delírio induz prejuízo social, familiar ou profissional.
  • O comportamento coloca em risco a segurança dos envolvidos ou de terceiros.
  • Um dos membros demonstra resistência total a contato com a realidade.

Aposentadoria e direitos legais

Casos graves podem gerar incapacidade funcional, especialmente no paciente primário. O induzido, em geral, retoma a vida normal após tratamento adequado, mas em situações de prejuízo persistente, pode haver solicitação de benefícios previdenciários.

Tratamentos para Transtorno delirante induzido (folie à deux)

  • Separação terapêutica: afastamento temporário ou parcial entre os envolvidos para enfraquecer a influência delirante.
  • Tratamento psiquiátrico com antipsicóticos para o paciente primário.
  • Psicoterapia de apoio para ambos, fortalecendo a autonomia cognitiva do induzido.
  • Intervenções familiares, quando o delírio envolve mais de duas pessoas.
  • Reinserção social e ocupacional para reduzir isolamento.

Transtorno delirante induzido (folie à deux) tem indicação de internação?

A internação pode ser necessária em casos de:

  • Delírios associados a risco de violência.
  • Recusa completa de tratamento pelo paciente primário.
  • Quando a convivência representa risco grave à saúde física ou mental dos envolvidos.

Faixa etária comum

Adulto, Idoso.

Perguntas frequentes sobre o CID F24

O delírio some quando os indivíduos são separados?
Na maioria das vezes, sim, especialmente no paciente induzido.

Só casais podem ter esse transtorno?
Não. Pode ocorrer entre irmãos, mãe e filha, ou até em grupos familiares inteiros.

O paciente induzido precisa sempre de remédio?
Nem sempre. Muitas vezes, o afastamento e a psicoterapia já são suficientes.

Esse transtorno é permanente?
Não necessariamente. O induzido pode recuperar o senso crítico após intervenção adequada.

É comum?
Não. É um diagnóstico considerado raro na psiquiatria.

Conclusão

O transtorno delirante induzido mostra como vínculos intensos e isolamento podem levar uma pessoa a adotar as crenças psicóticas de outra. Embora raro, exige intervenção psiquiátrica rápida para proteger os envolvidos e restaurar a autonomia de pensamento.

Serviços SIG para o CID F24

Na SIG Saúde Mental, oferecemos:

  • Avaliação psiquiátrica especializada.
  • Internação em casos graves de risco.
  • Psicoterapia e apoio familiar.
  • Acompanhamento multiprofissional para reintegração social.

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