Durante muitos anos, o termo “retardado mental” foi amplamente utilizado para descrever pessoas com algum grau de limitação cognitiva. Porém, atualmente, ele é considerado inadequado, pejorativo e estigmatizante. A medicina moderna, em especial a psiquiatria e a neurologia, passaram a utilizar o termo “deficiência intelectual”, reconhecendo a importância da linguagem na inclusão, no respeito e no cuidado à pessoa com limitações cognitivas.
Se você chegou até aqui buscando entender mais sobre esse assunto, saiba que é possível falar sobre o tema com clareza, empatia e base científica. Neste artigo, vamos explicar:
- Por que “retardado mental” é um termo obsoleto
- Qual é o nome técnico correto hoje
- Como a deficiência intelectual é classificada no CID
- Quais são os sinais e os graus da condição
- Opções de tratamento e acompanhamento
- Como lidar com o diagnóstico em família
- Onde buscar apoio especializado
O termo correto: deficiência intelectual
Atualmente, o termo reconhecido e utilizado por profissionais da saúde é deficiência intelectual. Essa nomenclatura foi adotada por importantes instituições, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Associação Americana de Deficiências Intelectuais e do Desenvolvimento (AAIDD) e as legislações brasileiras, como a Lei Brasileira de Inclusão (Lei 13.146/2015).
A substituição do termo se deu pelo entendimento de que a linguagem molda a forma como a sociedade enxerga as pessoas. Termos como “retardado mental” passaram a ser associados ao preconceito, à desvalorização e à exclusão, ao passo que “deficiência intelectual” carrega um sentido mais descritivo e respeitoso, focado na condição e não na pessoa.
O que é deficiência intelectual?
A deficiência intelectual é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por limitações significativas no funcionamento intelectual (como raciocínio, resolução de problemas, planejamento) e no comportamento adaptativo (habilidades sociais, comunicação, autonomia).
Essa condição se manifesta antes dos 18 anos e pode ter diferentes causas:
- Genéticas: como na síndrome de Down, síndrome do X frágil e outras
- Neurológicas: lesões cerebrais pré ou perinatais
- Ambientais: infecções, exposição a álcool/drogas durante a gestação, desnutrição grave, entre outras
Classificação no CID: da F70 à F79
A Classificação Internacional de Doenças (CID-10) utiliza os códigos F70 a F79 para identificar os diferentes graus de deficiência intelectual. Veja como são categorizados:
| Código CID | Descrição | QI estimado (aproximado) |
|---|---|---|
| F70 | Retardo mental leve | 50–69 |
| F71 | Retardo mental moderado | 35–49 |
| F72 | Retardo mental grave | 20–34 |
| F73 | Retardo mental profundo | Abaixo de 20 |
| F78 | Outro tipo de retardo mental | (não especificado) |
| F79 | Retardo mental não especificado | Informação insuficiente |
Importante: na CID-11, o termo “retardo mental” foi completamente substituído por intelectual developmental disorder (transtorno do desenvolvimento intelectual).
Como identificar a deficiência intelectual?
A avaliação envolve testes neuropsicológicos e clínicos que analisam:
- QI (Quociente de Inteligência), através de escalas padronizadas
- Desenvolvimento da linguagem
- Habilidades sociais e emocionais
- Autonomia em atividades básicas do dia a dia
É comum que a deficiência intelectual seja percebida ainda na infância, com atrasos no desenvolvimento da fala, na coordenação motora e no aprendizado escolar.
Quais são os graus de apoio necessários?
Além da classificação por QI, atualmente considera-se o nível de apoio necessário para a vida cotidiana. A AAIDD propõe os seguintes níveis:
- Intermitente: apoio ocasional (ex: em situações de estresse)
- Limitado: apoio regular, porém com autonomia parcial
- Extenso: apoio diário em várias áreas da vida
- Pervasivo: apoio contínuo e integral, em todos os aspectos
Essa abordagem é mais funcional e centrada na pessoa, considerando a qualidade de vida e o contexto social.
Existe tratamento?
A deficiência intelectual não tem cura, mas há tratamento e acompanhamento para desenvolver habilidades e melhorar a qualidade de vida do indivíduo.
As abordagens envolvem:
- Estimulação precoce
- Terapias (fonoaudiologia, psicologia, terapia ocupacional)
- Psicopedagogia
- Acompanhamento psiquiátrico (principalmente se houver comorbidades, como TDAH, epilepsia, depressão ou ansiedade)
- Medicamentos, quando necessário, para sintomas associados
- Escolas e serviços especializados
- Programas de inclusão social e profissional
Como lidar com o diagnóstico em família?
Receber o diagnóstico de deficiência intelectual pode ser um momento de dor, dúvidas e insegurança. É fundamental que a família seja acolhida e orientada adequadamente.
Algumas recomendações:
- Busque profissionais especializados
- Evite rótulos ou expectativas irreais
- Invista em estimulação afetiva, cognitiva e social
- Participe de grupos de apoio e acolhimento
- Promova inclusão, autonomia e respeito
Lembre-se: cada pessoa com deficiência intelectual tem potencial de desenvolvimento, e o apoio familiar é essencial nesse processo.
Leia mais em: CIDs Retardo Mental – DATASUS
Onde buscar ajuda?
Na SIG Saúde Mental, temos profissionais preparados para acolher crianças, adolescentes e adultos com deficiência intelectual, oferecendo suporte clínico, familiar e social. Atuamos com:
- Avaliação psiquiátrica e neuropsicológica
- Planejamento terapêutico individualizado
- Encaminhamento para recursos educacionais e sociais
- Acompanhamento multiprofissional
Contamos com residência terapêutica (SRT) e o programa SIG Home, que leva o cuidado até a casa da família, com foco na segurança, na rotina e no bem-estar do paciente.
Conclusão
O termo “retardado mental” ficou para trás — e com razão. A forma como nos referimos às condições de saúde mental e neurodesenvolvimento tem impacto direto na maneira como tratamos quem convive com elas. Usar “deficiência intelectual” é mais do que uma escolha técnica: é uma demonstração de respeito, humanidade e compromisso com a inclusão.
Se você convive com alguém que apresenta sinais de deficiência intelectual, ou busca uma rede de apoio especializada, entre em contato com a equipe da SIG Saúde Mental. Estamos prontos para cuidar de quem precisa, com respeito e acolhimento.








